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Imagem IlustrativaNão é preciso passes de magia para perceber que já estamos vivendo a primeira onda de transformações da sociedade. É cada vez mais repetitivo dizer que estamos vivendo a era da informação e da comunicação, lastreada da tecnologia disponível, que elimina as barreiras da distância da língua e da cultura e nos conduz a novos processos de produção, a novas formas de diversão, a um novo modo de viver e pensar, agir e interagir. Mas quanto mais veloz e voraz é o avanço tecnológico, maior é o abismo que separa o mundo tecnologicamente “ligado” do mundo tecnologicamente “desligado”. Enquanto algumas pessoas tem acesso à tecnologia e consequentemente à informação, outras ficam condenadas ao completo e total abandono e isolamento.

A inclusão digital, atualmente, é um assunto muito comentado nos meios de comunicação, no âmbito das organizações da sociedade civil e no cenário político como um todo, fazendo com que ações, projetos e programas sociais sejam elaborados e implantados em diversos países no mundo. Ao longo da história, novas tecnologias têm tido o poder de influenciar o comportamento da sociedade, assim como os telefones, o rádio, a televisão, e agora, a internet.

A nova era que vivemos, a era da globalização, da economia e do conhecimento, possibilita a nós o uso de diversas soluções digitais eficazes que beneficiam muito o nosso dia-a-dia. Porém, milhões de pessoas estão fora desse quadro, são os classificadas como excluídos digital. O Brasil, ainda hoje, convive com uma parcela significativa da população que vive às margens das facilidades e benefícios gerados pela tecnologia. De acordo com dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil, 54,3% dos brasileiros nunca fizeram uso de um computador e 66,6% jamais acessaram qualquer informação na internet.

“O acesso às tecnologias da informação significa para muitos, em primeiro lugar, o livre exercício da cidadania. Além disso, encurta distâncias, oferecendo às comunidades que vivem afastadas dos grandes centros, oportunidades que incluem a educação e a comunicação” (palavras de Sergio Rezende, Ministro das Ciências e Tecnologias).

A inclusão digital, como diz o Ministro, basicamente, é a iniciativa de fazer com que a sociedade obtenha conhecimento mínimo para utilizar os recursos da tecnologia da informação e de comunicação, bem como ter e utilizar os recursos físicos, tais como os computadores com acesso à internet.

Muitas iniciativas já foram tomadas, dentre elas, há uma infinidade de entidades não governamentais – ONG’s, universidades e empresas disponibilizando através da internet meios de capacitação profissional e pessoal de forma extremamente viável (para quem tem acesso à internet, é claro) Através de cursos à distância – e-learning – pessoas podem voltar a estudar atualizando-se de forma rápida e barata. O governo tomou a iniciativa de disponibilizar laboratórios de informática nas escolas brasileiras e o acesso à internet com banda larga ou atendida pelo sistema GESAC (Governo Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão), como é o caso do Programa de Informática na Educação - ProInfo.

Embora haja essa “porção” de iniciativas, mesmo com a quantidade de computadores nas escolas públicas no Brasil aumentando a cada ano, a inclusão digital ainda não é uma realidade, como é perceptível nas estatísticas que são apresentadas.

Se olharmos para dentro de nossa casa – nosso Estado, nossa região, nosso município – perceberemos facilmente essa realidade. Grande parte da população não consegue utilizar sequer um editor de texto ou acessar um e-mail. E, tendo em vista a importância do papel da educação para o desenvolvimento da sociedade, é difícil esperar dela quando se percebe que, mais de dois terços dos profissionais da educação, como foi mostrado em reportagem da Revista Nova Escola em 2009, se encontram nesta mesma situação.

Resta-nos, como diz Roberto Dias Duarte, pesquisador na área, no seu artigo “Conhecimento e Desenvolvimento”, questionar a atuação da sociedade brasileira como um todo, e a atuação de cada cidadão em relação a esse assunto. Tanto àqueles que fazem as políticas públicas como aqueles que são beneficiários dela. Isto porque a grande concentração de riquezas que caracteriza nossa sociedade tende a acentuar-se, uma vez que a sua geração depende cada vez mais dos dois aspectos abordados anteriormente: informação e formação.

Por outro lado, ainda concordando com Roberto Duarte, é insensato, ineficiente e eficaz, só esperar que o Estado distribua conhecimento como ele faz com cestas básicas. Acredito que a solução para estes problemas deva partir do micro para o macro, ou seja, das pessoas, das famílias e das organizações sociais para a sociedade. Desta forma, cabe a cada organização, cada família e cada pessoa, exigir a implementação correta das políticas públicas, mas também planejar e executar seu programa de desenvolvimento, pessoal e organizacional, considerando não apenas as inovações tecnológicas, mas fundamentalmente os fatores humanos como formação, capacitação e cultura.