Não é fácil vermos adolescentes participando de espaços de decisões, mesmo no que diz respeito a eles próprios. São sempre os adultos que decidem por nós. Quando se define um espaço para discutir políticas para adolescentes, lá estão pessoas do governo, de instituições, donos de empresas, menos adolescentes.
Ainda, quando há um momento ou outro em que um ou dois adolescentes são convidados a participar, como em conselhos, adultos lhe inibem o direito de falar, sendo que, dessa forma, não há adolescente que tenha interesse em está lá. Aí acaba que ficamos na mesma, sem o direito de expor ideias e falar o que se quer.
Aí ressalto a fala de uma amiga, Joseane, 15 anos, quando participava de uma roda de conversa realizada pela AMJUS em São Miguel do Gostoso (RN). Ela dizia que, “nós adolescentes, somos sempre vistos como irresponsáveis, que não queremos ou não sabemos nada da vida, como algo que precisa ser treinado. Como uma classe que não liga para aprender as coisas, que não gosta de palestras, de conversas e por isso só interessa brincar”.
Será que somos um produto que alguém pode chegar, bolar um rótulo e colar? Dizer o que somos como se fôssemos uns biscoitinhos num formato padrão? Aquele adulto que gostar de palestra que jogue a primeira pedra! Talvez alguns. E por que um adolescente teria a obrigação de gostar? Da mesma forma (Mas da mesma forma mesmo!), talvez alguns. Na verdade do que se gosta é do assunto ou da forma como a coisa acontece.
Mas sabe onde muitas vezes está a irresponsabilidade?
Hoje em dia é muito comum ver a nossa geração de adolescentes nas festas, ou em qualquer outro lugar se drogando, se alcoolizando e aqueles que poderiam e deveriam fazer alguma coisa, apenas se posicionam a afirmar que é culpa das drogas, é culpa do álcool. E então, é culpa do álcool e da droga e pronto? E cadê a culpa dos responsáveis pela qualidade de vida em sociedade?
Algumas coisas até são feitas, como políticas de governo que atendem a um mínimo de pessoas e que eu, felizmente, já tive a oportunidade de participar, somado ao constrangimento de sermos apresentados como adolescentes que estão no projeto por estar em situação de vulnerabilidade ou de risco social. Um profissional de repente aparece e nos cola mais um rótulo.
Fiquei muito feliz, e até comentamos entre o grupo de amigos, quando durante o EMA fomos apresentados como adolescentes-artistas-convidados, isso porque nos sentimos assim: artistas... estudantes, trabalhadores, pessoas.
Adolescentes sonham. E um adolescente nem sonha com um futuro cheio de projetos que durem um ano ou qualquer tempo, e sim, com oportunidades de se profissionalizar e dedicar sua vida. Então meus caros, vamos criar um mundo cheio de oportunidades onde as crianças e adolescentes possam expor suas ideias, independentemente de cor, raça, gênero e sexo, para que assim o amor e a paz predominem em todo o mundo.
Texto publicado na Revista Ecoar - AMJUS/2011, disponível para download.



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